Testemunhas de uma Certeza

O Documento de Aparecida (nº 216) afirma que os Consagrados e Consagradas são discípulos missionários de Jesus Testemunha do Pai; e Jesus dá testemunho do amor do Pai. O amor que o Pai declarou por Jesus no dia do seu batismo – “Este é meu filho amado…” (Mt 3,17) – deu a Ele a força e a coragem necessárias para o cumprimento da missão, sobretudo no momento mais difícil da Cruz. Assim também, a certeza de ser amado, de não estar só ou no abandono; a firme convicção de que o olhar cuidador de Deus nos acompanha sempre, e a gratidão por descobrir-se amado enche de energia misteriosa nossas vidas nos momentos em que não sabemos mais como contar com nossas próprias forças.

Os consagrados e consagradas, tendo experimentado, a exemplo de Jesus, o poder vivificante e transformador do amor do Pai, tornaram-se livres para disporem de suas vidas. Descobriram um tesouro em troca do qual doaram tudo. Por isso, a escolha dos Conselhos Evangélicos é uma consequência agradecida do encontro com o Amor. Nesse terreno fértil germinaram e floresceram incontáveis obras de misericórdia sem as quais a Igreja não cumpriria sua missão (cf. Vita Consecrata 3).

Num tempo em que se fala tanto da falta de referenciais, de impressionante superficialidade, de subjetivismo, das numerosas “sombras de um mundo fechado” (Fratelli Tutti 9ss), a Vida Consagrada há de dar, por vocação e carisma, com entusiasmo ainda maior, um luminoso testemunho da certeza do Amor do Pai revelado em Cristo Jesus.

E o que dizer, então, da importância deste testemunho quando as seguranças da humanidade se abalam, quando as poderosas máquinas de guerra se revelam nulas, derrubando de seus tronos e pondo de joelhos até mesmo “os mais poderosos da terra”?

É significativo que na oportunidade desse Jubileu de Prata esteja tão evidente a necessidade da presença iluminadora da Vida Consagrada na Igreja e no mundo. É o Amor do Pai que faz despertar a consciência dessa necessidade para que a própria Vida Consagrada seja redescoberta por ela mesma, pela Igreja e pelo mundo. Por isso ela “é um dom do Pai, por meio do Espírito” (Vita Consecrata 1).

O mundo, a sociedade, as comunidades, as famílias, as pessoas necessitam de Luz. Jesus é a Luz do Mundo precisamente porque dá testemunho do Pai. Na Liturgia da Festa da Apresentação do Senhor a Vida Consagrada encontra inspiração para aperceber-se vocacionada a ser Luz, testemunhando a certeza do Amor Fiel e Providente do Pai.

Jubileu é ação de graças, é alegria, é renascimento, é nova oportunidade, é recomeço porque, olhando o passado, há tanto que agradecer, vendo o presente, há tanto que abraçar e, vislumbrando o futuro, há uma missão que chama.

Deus seja louvado pelas maravilhas que espalhou no mundo ao longo da história por meio dos Consagrados e Consagradas. O Pai dê a cada um e a cada uma um coração cheio de paz e incendiado de ardor para iluminarem o mundo.

Dom João Francisco Salm

Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada

 

Fonte: Tríduo preparatório para o 25º Dia da Vida Consagrada (30 de janeiro a 1º de fevereiro de 2021) A Vida Consagrada
no coração da Igreja: testemunhas de uma certeza

By |2021-02-02T11:15:54-03:0002/02/2021|Notícias Tabor da Esperança|0 Comments
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