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Na esperada da Ressureição

Meditando com o Pe. Kentenich – Cf. Rumo ao Céu nn. 349-351

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Diferentemente de Pedro, que quer afastar o Senhor do caminho da tristeza da paixão e a quem Jesus censura por isso (cf. Mc 8, 32 s), Maria «aceita, sem amarga queixa» que o Filho siga o caminho da dor e carregue a sua cruz (verso 1). Esta aceitação de Maria está em acordo com o seu consentimento no «sim» da Hora da Anunciação.

A quarta dezena do Mistério Doloroso é uma pequena meditação sobre a Via Sacra; ela resume a intensidade da «Via Sacra do Instrumento» que temos no Rumo ao Céu em alguns pontos:

  1. O caminho da cruz é caminho para o sacrifício. Jesus carrega a sua cruz ao «lugar do sacrifício» (verso 2). Segundo alguns estudiosos, a colina do Gólgota onde Jesus foi crucificado corresponde ao Monte Moriá, lugar onde Abraão subiu para sacrificar seu filho Isaac (Gn 22).
  2. Jesus está totalmente pronto para o sacrifício: leva (carrega) o madeiro da Cruz, como Isaac levou (carregou) o feixe de lenha para o sacrifício. Ele carrega a cruz mudo como Isaac.
  3. Nosso Pai diz que foi o nosso «temor do sofrimento» quem impôs a cruz aos ombros de Jesus. Aqui, o Fundador faz uma interpretação espiritual da Via Sacra: o nosso medo de sofrer faz a Cruz (já pesada pelo pecado do mundo inteiro) ser ainda mais difícil (sacrifical).
  4. Jesus toma a cruz e se encarrega do sacrifício porque está se sente impelido pelo «profundo amor de redentor» (verso 4).

Terminada a pequena meditação, nos dois versos finais, o Fundador nos oferece uma aplicação prática para a vida:

  • Queremos ajudar Jesus a carregar a cruz (verso 5). Lembramo-nos da 5ª Estação da Via Sacra: Simão de Cirene ajuda Jesus a carregar a cruz. Ou seja: queremos tomar parte ativa na obra de Jesus; não somos apenas expectadores ou receptores passivos de um amor tão grande. Nos envolvemos no processo de redenção do mundo.
  • Este envolvimento nosso deve acontecer «em silêncio», ou seja, com consentimento interno, simplesmente “em silêncio” (ver RC n.151). O silêncio (no sentido da «santa indiferença») é o remédio da Inscriptio contra a rebelião natural dos nossos sentidos (verso 6).

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A última dezena do terço doloroso nos convida a olhar para o Senhor que «pende da cruz». O Pe. Kentenich usa o verbo «ver» – nós vemos com os olhos da fé. No método de oração ensinado por Santo Inácio de Loyola, quando tomamos um texto bíblico para a meditação, devemos fazer a «composição de lugar», ou seja, imaginar o ambiente, ver e sentir as pessoas que tomam parte da cena, entrar no episódio. É bom «ver Jesus» verdadeiramente diante de nós enquanto oramos.

Olhamos para Jesus pendurado na cruz, entre dois malfeitores e o reconhecemos como «Redentor do mundo» que chegou à morte não apenas por causa de um processo judicial cego e injusto, mas por um «ardente impulso de amor»: o amor o colocou na cruz para a nossa salvação (verso 2).

Junto da cruz está sua Mãe, a quem rezamos pedindo que nos una perfeitamente a Jesus e nos deixe compreender os sentimentos Dele unidos aos seus sentimentos maternos. Ela deve entregá-lo, deixando que Nele se cumpra o plano incompreensível de Deus. Esta é a última renúncia a todo direito materno-humano sobre seu Filho. Porque Maria – na sua dor – se desapega (entrega livremente) totalmente do Filho e dá a sua plena disponibilidade a Deus, o Redentor do mundo completa sua obra incontestada (verso 5). Maria está completamente envolvida no sacrifício de Jesus, e no seu abandono ao Pai.

A última frase quer ser uma aplicação prática na vida. Seguindo a intuição do autor da Carta aos Hebreus, o Pe. Kentenich chama Jesus de Sumo Sacerdote. Na verdade, Jesus é sacerdote, altar e cordeiro imolado (cf. o prefácio da Páscoa). Maria é aquela que apresenta o cordeiro (a vítima); ninguém tem tanta proximidade com o sacrifício de Jesus como Maria. Ninguém poderia nos orientar melhor sobre como viver debaixo da cruz, perto de nosso Salvador. Maria é mãe e educadora: ela ensina a doar a vida porque aprendeu na escola da Cruz. Educados por Ela podemos ser – como diz um conhecido cântico – «servo de cada homem, servo por amor, sacerdote da humanidade». O Batismo fez de nós sacerdotes, profetas e reis para Deus. Com Maria aprendemos a viver o sacerdócio comum oferecendo os nossos sacrifícios unidos àquele de Jesus.

 

351   

Os mistérios gloriosos deixam transparecer toda força e alegria que fazem parte da fé pascal. O Ressuscitado não permanece no poder na morte. Ele «rompe as cadeias da morte», sai da prisão, solta os grilhões que queriam prendê-lo. Ao triunfar sobre a morte, ele frustra o poder e a astúcia de Satanás. É a mensagem da Páscoa, como conhecemos pelas Escrituras e pelos Cânticos da Páscoa.

Nosso olhar se volta para Maria e contemplamos como Ela – plena de júbilo – vê Jesus «transfigurado e belo» (verso 3). Mesmo sem pressupor uma aparição de Jesus a Maria, podemos meditar na nossa oração pessoal como Maria deve ter exultado ao ver Jesus em todo o seu esplendor celestial.

O que Maria vê cheia de júbilo é o que veremos acontecer conosco quando estivermos ressuscitados. Pois Jesus ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram (cf. 1Cor 15,20). Aqui o Pe. Kentenich manifesta indiretamente a sua fé pessoal na Ressurreição e nos estimula a manter a nossa esperança de ressurreição (verso 4) e imaginar-nos ressuscitados, «transfigurados e belos» como Jesus (verso 3).

A última frase é a aplicação à vida pessoal. A Páscoa é uma festa de alegria, que nos convida a ter esperança. Vivendo a fé pascal, o Senhor nos concede júbilo e alegria em intensidade tal que podemos ser pessoas felizes e que vivam na alegria. Sabemos em quem acreditamos: em Jesus que ressuscitou e que demonstrou que o amor é mais forte que a morte. Nada pode nos separar desse amor vitorioso de Cristo (cf. Rm 8). Esta alegria cheia de esperança faz com que o nosso amor «arda em chamas» ou seja, queime de felicidade e exultação! E o amor que nos inundou transborda em caridade para com o próximo, como a dizer que a felicidade verdadeira do cristão é fazer o bem ao próximo alegremente, transmitindo aos outros o amor que recebeu de Jesus.

Baseado no livro «Escola de Oração do Rumo ao Céu»,

de autoria do Mons. Dr. Peter Wolf, publicado em Schoenstatt em 1995 (sem tradução brasileira).

Santuário de Schoenstatt de Belmonte /Roma – 08.04.2020

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