Ministério de Catequista: vocação e serviço

O Diretório para a Catequese, lançado pelo Vaticano no ano de 2020, dá ênfase à responsabilidade que cada fiel abraça ao receber o sacramento do Batismo. Por isso, a Igreja se completa com os diferentes dons e carismas que as pessoas oferecem a Deus, tendo como critério o bem comum e a fraternidade entre os homens e mulheres de seu tempo.

Afirma o Diretório para a Catequese: “No conjunto dos ministérios e serviços, com os quais a Igreja cumpre sua missão evangelizadora, o ministério da catequese ocupa um lugar significativo, indispensável para o crescimento da fé. Esse ministério introduz à fé e, juntamente com o ministério litúrgico, gera os filhos de Deus no seio da Igreja” (DC 110).

Depois do lançamento do Diretório, a Igreja recebe a tarefa de preparar por meio de uma formação adequada, e instituir nas Igrejas particulares, o Ministério laical de Catequista. E esta formação adequada precisa ser bem articulada, em vista do grande tesouro que é a dimensão ministerial na Igreja.

Por isso, é preciso que todas as pessoas responsáveis por planejar e conduzir a instituição do Ministério laical de Catequista, tenham em mente que um ministério existe para toda a Igreja, e não exclusivamente para um setor, uma pastoral ou um grupo exclusivo nas paróquias.

Ser Ministro da Catequese é uma responsabilidade que depende da escuta ao Espírito Santo e se concretiza no serviço de educar na fé a partir da Palavra de Deus. Compreender-se Ministro da Catequese é o mesmo que assumir-se ministro da Palavra.

As orientações da Carta Motu Proprio Antigo Ministério

De maneira breve, com apenas 11 números, a Carta Antigo Ministério, do Papa Francisco, apresenta algumas orientações para serem consideradas no discernimento das propostas de instituição do Ministério laical de Catequista nas dioceses.

Abaixo, faremos alguns destaques, por números, das indicações relevantes à formação dos Ministros da Catequese.

1– O Ministério instituído visa o bem da Igreja inteira. Neste sentido, o Ministro da Catequese precisa dedicar sua vida e vocação ao sentido da sinodalidade, que significa promover a convivência fraterna entre as pessoas da comunidade que exercem outros ministérios e diferentes serviços.

Porque é ministro da Palavra, o Ministro leigo da Catequese esteja sempre atento à realidade e à conjuntura de sua comunidade, para promover a educação na fé a partir da Palavra de Deus, sob os princípios da justiça social, da comunhão de vida e da partilha dos bens necessários em vista da dignidade da vida humana.

2– O Ministério laical de Catequista precisa estar a serviço da formação continuada das lideranças e da comunidade como um todo. O Ministro leigo da Catequese será responsável pela transmissão da fé de maneira orgânica, progressiva e permanente, de acordo com as realidades dos fiéis de sua comunidade.

3– Exercer o Ministério laical de Catequista é compreender o empenho e a importância da história de fé que sustenta a Igreja ao longo dos tempos. A credibilidade e o testemunho autêntico dos valores do Evangelho, sempre com participação efetiva na comunidade de fé, são o crivo da escolha e do envio de Ministros leigos da Catequese.

4– O Ministério laical de Catequista é uma aplicação das orientações solicitadas pelo Concílio Vaticano II, que impulsionou a presença e participação ativa dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade. Ser Ministro leigo da Catequese pressupõe a sintonia e fidelidade ao magistério do Concílio Vaticano II, que passa pela compreensão de assumir o serviço de formar na fé as pessoas e comunidades eclesiais.

5– Deste número, podemos destacar: “Fidelidade ao passado e responsabilidade pelo presente são as condições indispensáveis para que a Igreja possa desempenhar a sua missão no mundo”.

O Ministério laical de Catequista precisa ser desempenhado em sintonia com as necessidades atuais da Igreja, sendo presença que acolhe, cura e acompanha as pessoas. Por isso, ser Ministro da Catequese é assumir o projeto da Igreja em saída e da missionariedade, levando em conta a cultura globalizada e a acolhida das novas gerações.

6– Para ser Ministro leigo da Catequese busca-se moldar a identidade de catequista com os seguintes critérios: vida de oração, valorização do estudo e formação permanente e a participação ativa na comunidade. Além de, como proposta de pedagogia catequética, assumir a proposta da inspiração catecumenal para cumprir o desejo de retorno às fontes, como orientam os documentos do Concílio Vaticano II.

7– O Ministério laical de Catequista está sendo instituído porque é uma necessidade de nossos tempos atuais, e precisa ser exercido com empenho e características dos cristãos leigos e leigas, que conhecem as necessidades e realidades das pessoas à sua volta.

Estar instituído Ministro leigo da Catequese não é um elogio ou destaque, que a carta chama de clericalização, mas é uma missão, um serviço de lavar os pés da comunidade de fé. Será um Ministério como dom para edificar a Comunidade-Igreja, com a contribuição e modo de ser Igreja próprios da vida de leigos e leigas.

8– Após a análise da realidade da Igreja diocesana, os critérios para a instituição do Ministério laical de Catequista são: estabilidade (que é diferente de serviço vitalício); discernimento da vocação; participação ativa na comunidade; vida de comunhão fraterna; formação bíblica, teológica, pastoral e pedagógica; experiência com catequese.

9– O Ministério laical de Catequista não é automático, para quem já está à frente de algum grupo de catequese. Ele será instituído após um caminho formativo necessário e com critérios de discernimento apontados no número anterior.

10– Também as Igrejas orientais poderão avaliar a necessidade e viabilidade do Ministério laical de Catequista.

11– Ainda sobre o critério de estabilidade, o Ministério laical de Catequista parte da consideração por parte da Igreja de que a vocação e missão de catequistas não podem faltar em uma comunidade. Por isso, estabilidade não é a mera duração do ministério ao longo de determinado ciclo de tempo, mas uma efetiva reflexão sobre os processos de formação na fé, de maneira continuada e progressiva, para todos os membros da comunidade de fé.

Para concluir, também citamos uma frase de forte apelo ao sentido de comunidade que traz o Diretório para a Catequese:

“A vocação específica do catequista, portanto, tem sua raiz na vocação comum do povo de Deus, chamado a servir o desígnio salvífico de Deus em favor da humanidade” (DC 110).

Somos catequistas em favor do povo, e não para promoção pessoal. Somos chamados a servir na messe tão carente de operários.

 

Fonte: https://revistaparoquias.com.br/blog/catequistas-brasil-10/post/ministerio-de-catequista-vocacao-e-servico-189

By |2021-08-28T17:34:25-03:0028/08/2021|Notícias Tabor da Esperança|0 Comments
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