Imaculada Conceição de Maria (Parte 1)

INTRODUÇÃO

Desde os primórdios do cristianismo, a santidade de Maria sempre foi motivo de veneração entre e para os cristãos. O “sensus fidei” do povo cristão contemplou na Virgem Maria os privilégios singulares com os quais o próprio Deus a havia agraciado. Após longos processos de reflexões e revelações, o Magistério da Igreja, em conformidade com os ensinamentos da Sagrada Escritura e apoiado na Tradição, confirmou e proclamou como dogmas os privilégios marianos.

A primeiro parte destaca os aspectos históricos e bíblicos do dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria. Partindo do “sensus fidei” dos cristãos, os Santos Padres e os escritores eclesiásticos refletiram sobre este singularíssimo privilégio concedido a uma criatura, Maria. Muitos não conseguiram compreender tão grande mistério e associá-lo a obra redentora de Cristo, por isso, se opuseram. Porém, o Magistério da Igreja, servindo-se de sua autoridade, embasado na Sagrada Escritura e apoiado na Tradição, decretou como doutrina revelada o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854, através da Bula “Ineffabilis Deus”, do pontífice Pio IX.

No segundo, aborda-se as implicações teológicas do dogma da Imaculada Conceição e o aspecto devocional ao Imaculado Coração da Virgem Maria. Em um primeiro momento, tratou-se da relação do pecado original com a Virgem Maria. O pecado original é uma realidade que perpassa todo o gênero humano. Maria, por ser humana, deveria também ter nascido com essa mácula. Porém, Deus a preservou em previsão dos méritos de seu Filho Unigênito. Maria não esteve isenta da obra redentora, mas foi o primeiro rebento da redenção operada por Cristo. Em seguida, relacionou o dogma da Imaculada Conceição com o dogma da Assunção, uma vez que estes dogmas se encontram em estreita consonância. E para finalizar, abordou-se a devoção ao Imaculado Coração de Maria, devoção tão cara à Igreja e aos fiéis.

A escolha do tema se deu por causa de uma devoção particular e da vontade de conhecer melhor a devoção mariana. Constantemente, os católicos são acusados de idolatrar a Virgem Maria. Acusação sem fundamentos! A devoção a Maria está enraíza na adoração de Cristo, o verdadeiro Filho do Deus Vivo. Os dogmas marianos só podem ser compreendidos a partir de Cristo e não a partir de Maria. Nenhum dogma mariano foi afirmado para exaltar a figura de Maria, mas para salvaguardar a Pessoa e a obra redentora de Jesus Cristo.

Ao longo do texto, foram grafadas as formas: “imaculada conceição” e “Imaculada Conceição”. Quando se escreve “imaculada conceição”, com iniciais minúsculas, refere-se a um atributo da Virgem Maria, ou seja, a sua concepção sem a mancha do pecado original; quando se grafa “Imaculada Conceição”, com letras maiúsculas, deve-se compreender como sinônimo de Maria. As fontes pesquisadas trazem essa diferenciação e até mesmo alguns documentos magisteriais. Após a proclamação dogmática, entrou em uso corrente grafar “Imaculada Conceição”. Ser concebida sem pecado original é um atributo ontológico da Virgem Maria e por ser um atributo ontológico, dizer Imaculada Conceição é chamar por Maria.

Através de uma pesquisa bibliográfica tencionou-se neste trabalho, compreender melhor o privilégio mariano. Como se sabe, o embate sobre a proclamação do dogma se prolongou por séculos e vários foram os escritos referentes ao tema. Para um melhor desenvolvimento e coerência de pensamento, o trabalho foi baseado na Bula “Ineffabilis Deus” e na Carta Encíclica “Fulgens Corona”. Esse trabalho não tem e nem conseguiria ter a mínima pretensão de descrever minuciosamente todo o desenvolvimento histórico e as implicações do referido dogma, porém, o intuito é apenas proporcionar uma melhor compreensão de tal crença.

 

Trecho da tese: Maria, a redimida em previsão dos méritos de Cristo por Pe. Luís Antônio de Sales

MARIA, A REDIMIDA EM PREVISÃO DOS MÉRITOS DE CRISTO

By |2019-12-07T10:22:04-03:0007/12/2019|Sem categoria|0 Comments
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