Esposo e Diácono: Pozzobon e a dupla sacramentalidade

Ordenação Diaconal de João Pozzobon

 

O Servo de Deus João Luiz Pozzobon é patrono dos diáconos permanentes no Brasil

Ir. M. Rosequiel Fávero – A cada dia 10, já há quase dois anos, recordamos a pessoa e a missão do Servo de Deus (e nosso irmão na Aliança de Amor) João Luiz Pozzobon. O ano a ele dedicado, em função da pandemia, se tornou um biênio. O que, na verdade, se tornou lucro para nós, que temos mais tempo para refletir, estudar e meditar sobre seu exemplo de vida como missionário, pai e esposo, como católico e schoenstattiano.

10 de agosto, Dia do Diácono

A Igreja celebra hoje São Lourenço, diácono mártir nos primeiros séculos do cristianismo. Por isso esse dia – 10 de agosto – é também recordado como “Dia do Diácono”. Nada melhor para olharmos para João Pozzobon na perspectiva de um “santo” (a caminho dos altares) diácono permanente.

Esta tarefa não é tão difícil, pois são muitos os aspectos que podemos explorar. O diaconato é essencialmente serviço, de maneira especial aos pobres, às comunidades eclesiais, ao mundo do trabalho e no seio da família, lugares de atuação de um diácono permanente. Em todos estes âmbitos teríamos o que explorar sobre João Pozzobon.

Algo peculiar ao diaconato permanente é o que chamamos de “dupla sacramentalidade”. Tal expressão significa que o diácono permanente é um homem que, normalmente, antes do Sacramento da Ordem, foi chamado por Deus ao Sacramento do Matrimônio.

No Documento de Santo Domingo encontramos: “Queremos ajudar os diáconos casados que sejam fiéis à sua dupla sacramentalidade: do matrimônio e da ordem, e para que suas esposas e filhos vivam e participem com eles na diaconia. A experiência de trabalho e seu papel de pais e esposos constituem-nos colaboradores muito qualificados para abordar diversas realidades emergentes em nossas Igrejas particulares” (Documento de Santo Domingo, 77). E no de Aparecida, no seu número 205: “Alguns discípulos e missionários do Senhor são chamados a servir à Igreja como diáconos permanentes, fortalecidos, em sua maioria, pela dupla sacramentalidade do matrimônio e da Ordem.”

O diácono João Pozzobon e a dupla sacramentalidade

Quando foi ordenado diácono permanente, João Pozzobon já tinha 68 anos. Era pai e avô, comerciante honrado e reconhecido pelo seu profissionalismo. Seu apostolado era já conhecido na diocese de Santa Maria/RS e também além dela. Foi justamente por causa do serviço que já prestava à Igreja e às famílias que foi ordenado diácono.

Desde o início do seu apostolado com a Mãe Peregrina, e isso bem antes do diaconato, João Pozzobon já tinha bem claro que tudo o que fizesse não poderia resultar em prejuízo para sua família. Possivelmente conhecemos sua afirmação: “Tenho como primeira missão a família. Devo velar por ela e prestar contas a Deus. Então disse à Mãe e Rainha: tenho sete filhos, uma esposa. Tenho de prestar contas a Deus de meus filhos e de minha esposa. Porém, se é a vontade de Deus e a tua, ‘um único homem pode mover o mundo inteiro’… Mas pouco importa mover o mundo inteiro se descuidar da minha família. Se isto acontecesse não estaria fazendo nada…. Entretanto, tudo foi bem. Quando Deus quer que se realize uma missão, uma pessoa pode cuidar da sua família, pode fazer tudo” [1].
Um dos aspectos mais bonitos do itinerário de João Pozzobon é justamente esta harmonia entre família e apostolado. Numa palestra para missionários da Mãe Peregrina ele conta:

“…E Deus e a Mãe sabem preparar tudo. Sabiam que o João precisava caminhar e, para isso, precisava sair de casa, da família, deixar os sete filhos e o armazém. E ele tinha que dar conta de tudo. Tinha que observar tudo. Mas Deus sabe organizar tudo direitinho. Então, todos lá em casa não saíam comigo a caminhar, mas nunca ninguém se opôs a que eu o fizesse. A esposa poderia dizer: ‘Mas, por que tanto andar? Poderia diminuir um pouco, ficar mais aqui em casa!’ [Ela] Nunca me disse isso! Ao contrário, só me dizia: ‘Vai, João, que a Mãe e Rainha te abençoe! Que não te aconteça nada de errado, nada de ruim na viagem!’ Era como uma bênção, um desejo que ela expressava! …. Os rapazes, por sua vez, já grandes, poderiam implicar. Poderiam dizer: ‘Que tanto nosso pai anda por aí, poderia ficar em casa, nos ajudar melhor!’ Mas nunca disseram isso.
Entretanto, eu cumpria o meu dever lá em casa. Isto era sagrado. A minha parte como pai não ficava para trás! A Campanha não me impedia de cumprir os meus deveres, a parte que eu me havia determinado, mesmo à custa de sacrifícios, como o levantar bem cedo para fazer o que me cabia…”[2]

João Luiz Pozzobon viveu plenamente seu matrimônio como sua vocação e caminho de santidade. A espiritualidade de Schoenstatt da qual bebeu lhe ajudou a conjugar brilhantemente, pelo caminho da Santidade da Vida Diária, sua missão na família e com a Mãe Peregrina. O diaconato permanente foi vivido neste mesmo caminho. E mesmo que ele não conhecesse a expressão, sua vida é exemplo vivido da dupla sacramentalidade.

Família Pozzobon em frente ao armazém

 

[1] URIBURU, Esteban. Herói Hoje. Não Amanhã, 2a. ed., S. Paulo, 200o, p.57-8.
[2] Palestra a missionários da Campanha. Fita cassete n.034/DAVF (arquivo da Causa de Beatificação).

Fonte: Schoenstatt.org.br

By |2021-08-10T11:20:37-03:0010/08/2021|Artigos, Notícias gerais|0 Comments
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