Dogma da Maternidade Divina

O primeiro dogma mariano a ser proclamado foi o da maternidade divina de Maria. O seu conteúdo foi permanentemente sustentado pela Tradição. Está presente já nos primeiros símbolos da fé e nos escritos dos ‘Padres da Igreja’, como são chamados os teólogos que, logo após a pregação dos apóstolos, fizeram as primeiras reflexões a respeito da fé e da doutrina cristā.

No entanto, a expressão Mãe de Deus’ surgiu no âmbito da discussão sobre quem era verdadeiramente Jesus Cristo e como se harmonizavam nele as naturezas divina e humana. Um grupo, liderado por Nestório, desde 428 bispo de Constantinopla, sustentava que em Jesus existiriam duas naturezas e também duas pessoas: uma divina e outra humana. Afirmava que o Filho de Deus não nascera verdadeiramente como homem, mas que se havia unido a um homem já existente. Maria, por conseguinte, teria gerado uma pessoa humana, à qual, posteriormente,2 Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho eterno do Pai se teria unido. Por isso, segundo este grupo, ela não poderia ser chamada de Mãe de Deus (Theotókos, em grego), mas somente Mãe do ‘homem-Cristo’. O segundo grupo, liderado pelo Bispo São Cirilo, de Alexandria, reagiu contra essa doutrina afirmando que em Jesus Cristo existem duas naturezas (uma divina e outra humana), mas uma só pessoa. Ele é verdadeiramente Deus texto homem. Por isso, Maria pode, sim, ser chamada de Mãe de Deus porque é Mãe do Filho de Deus.

O Concílio de Éfeso se ocupou com esta discussão e, em 431, proclamou o dogma da maternidade divina de Maria, afirmando que se pode chamá-la de Mãe de Deus’. A sua doutrina foi aprofundada, mais tarde, no Concílio de Calcedônia, em 451, que se pronunciou da seguinte forma: “Todos ensinamos unanimemente que se deve confessar a um só e mesmo Filho nosso Senhor Jesus Cristo,… gerado pelo do Pai antes dos séculos quanto à divindade, e ao mesmo, nos últimos dias, por nós e por nossa salvação, gerado da Virgem Maria, Mãe de Deus quanto à humanidade”.

O QUE O DOGMA NOS ENSINA?

Maria foi plenamente Mãe de Jesus. Como tal, prestou serviços maternais ao Filho de Deus: acolheu-o com amor, dedicou-lhe cuidados e educação. Dela Jesus aprendeu seus primeiros passos, suas primeiras palavras. Conduzido pela sua mão conheceu a religião e os costumes do seu povo.

A verdadeira grandeza de Maria como Mãe de Deus, no entanto não reside na sua maternidade natural, mas sim na sua fé heroica. Ela é a discípula missionária de Jesus, é a Mãe do sim obediente e livre. Santo Agostinho, um dos maiores teólogos da igreja explica: “Maria carrega Cristo antes em seu coração do que e seu seio”. Nesse sentido, o Concílio Vaticano Il também ensina: “Quis, porém, o Pai das misericórdias que a encanação fosse precedida da aceitação daquela que era predestinada a ser a Mãe de seu Filho, para que, assim como a mulher contribuiu para a morte, a mulher também contribuíra para a vida” (Lumem Gentium 56)

Fonte: Na Escola de Maria,Dogmas Marianos -2009 – Sociedade Mãe e Rainha

By |2020-12-31T10:51:02-03:0001/01/2021|Notícias Tabor da Esperança|0 Comments
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