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Palavra do Pastor › 01/08/2020

Dai-lhes vós mesmos de comer

Neste primeiro domingo do mês de agosto, próximo da memória litúrgica do Cura d’Ars, a Igreja nos convida a meditar sobre as vocações ao ministério ordenado e a rezar pelos sacerdotes. A liturgia dominical descortina algumas características marcantes missão de Cristo, que devem impregnar a vida dos bispos e presbíteros.

Os escritos de Isaías (Is. 55,1-3), aludem aos tempos do exílio da Babilônia. Os exilados, torturados pela fome e pela sede, tentavam conseguir com as próprias forças o bem-estar. Deus convida os exilados a procurar nEle os bens fundamentais: “apressai-vos, vinde e comei”. E os convida a confiar na liberalidade com que os ama: “vinde comprar sem dinheiro”. Deus convoca os famintos a crer na Sua Palavra. Neste tempo de graves dificuldades, é bem fácil perguntar a Deus se Ele ainda mantém suas promessas. Ao sentir a tentação de pedir que transforme as pedras em pão, vamos ouvir de Jesus: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”.

A multiplicação dos pães (Mt 14,13-21) alude aos sinais de Jesus que cumprem as promessas messiânicas. Ao sair do barco, Jesus vê uma grande multidão, se compadece deles, curando os que estavam doentes”. O Messias compassivo que cura os enfermos e passa o dia a ensinar. Ao cair da tarde, os discípulos sugerem mande embora as multidões cansadas para comprarem comida nos povoados. A compaixão dos discípulos não se traduz em iniciativas aptas a saciá-los. Jesus ordena aos discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Ficam perplexos: só têm cinco pães e dois peixes. Jesus, com gestos que conhecemos bem, toma os pães e os peixes, olha para o céu e pronuncia a bênção. Depois parte o pão e os peixes. Dá-os aos discípulos para que distribuam às multidões. Envolve os discípulos na sua missão messiânica: tem compaixão, ensina, dá de comer através das mãos daqueles que nada tinham de próprio para dar a não ser os míseros cinco pães e dois peixes. É o banquete messiânico. Deus não se cansa de derramar os seus bens para o povo que ama qual Sua Esposa. Esta cena aponta para a Eucaristia e o ministério daqueles a quem Jesus dirá depois: “Fazei isto em memória de mim”. Deus cumpre as promessas em Jesus e por meio dos que Ele constitui seus ministros.

“Quem nos separará do amor de Cristo?” – pergunta o Apóstolo (Rm 8,35ss). E, em seguida, professa a mais absoluta confiança no amor de Cristo, a quem ele entrega a sua vida.

Os sacerdotes somos chamados a nutrir a Esposa de Cristo com o Pão da Vida: “apascentar é ofício de amor” (Agostinho). Mas resta o problema da fome no mundo. Ao alimentar-nos com o banquete do Reino, Ele continua a nos dizer: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. É pelas mãos dos justos da Cidade de Deus que a fome existente na cidade dos homens pode encontrar solução.

Dediquemos à Virgem Mãe de Deus este dia de oração pelos sacerdotes.

+Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida

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