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Palavra do Pastor › 04/08/2019

Cuidado com a ganância

+ Dom Sergio da Rocha

Cardeal Arcebispo de Brasília

O Evangelho proclamado neste Domingo inicia-se e termina com uma advertência a respeito da ganância e da acumulação de bens materiais. “Tomai cuidado contra todo tipo de ganância”, afirma Jesus (Lc 12,15). A parábola sobre o homem que acumulava bens materiais, pensando em ter segurança e felicidade, leva-nos a refletir sobre a posse e o consumo de bens. Infelizmente, a parábola do homem que acumulava bens retrata o que se passa no mundo de hoje. Difunde-se, sempre mais, que para ser feliz e ter um futuro tranquilo é necessário ter muitos bens e consumir sempre mais, ao contrário do que afirma a Palavra de Deus.   “A vida do homem não consiste na abundancia de bens”, como muitos pensam e agem em nossos dias. É preciso cuidar para não “ajuntar tesouros para si mesmo”, ao invés de ser “rico diante de Deus” (Lc 12,13-21). Quando isso ocorre, a vida fica sem seu sentido maior.

O Eclesiastes expressa bem a incapacidade do homem de encontrar sentido da vida, por si mesmo, fechado neste mundo. A constatação de que “tudo é vaidade” (Ecl 1,2) revela a fragilidade da condição humana e a provisoriedade da vida presente, assim como a importância de se encontrar em Deus o sentido da vida. Quando o dinheiro passa a ocupar o lugar de Deus, transforma-se num ídolo que escraviza e torna o homem insensível à palavra de Deus e ao próximo

Perante os bens materiais é preciso ter uma postura de sobriedade e justiça. De fato, cada pessoa humana e cada família têm direito aos bens necessários para viverem dignamente. Inúmeras pessoas, em condições precárias de vida, se veem obrigadas a redobrarem os esforços para o digno sustento de sua família. Entretanto, há muitos que se deixam levar pela ganância, acumulação e consumo desenfreado de bens materiais, ignorando as exigências do Evangelho.

São Paulo nos convida a uma vida nova, à imagem de Deus, “pois pelo batismo ressuscitamos com Cristo, morrendo para o pecado e nascendo de novo. Para tanto, é preciso esforçar-nos para corresponder à graça recebida. Para cada cristão, é tarefa permanente despojar-se do “homem velho” e “revestir-se do “homem novo”, que “se renova segundo a imagem do seu Criador (Col 3,10), com as consequências práticas indicadas por São Paulo.

Assim fazendo, possamos glorificar a Deus na Eucaristia e na vida cotidiana, encontrando sempre em Deus o refúgio nas provações, conforme rezamos com o salmista (Sl 89): “Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nos”.

Neste Mês Vocacional, procuremos refletir sobre o modo como estamos vivendo a nossa vocação cristã.  Neste primeiro domingo, rezemos, de modo especial, pelas vocações sacerdotais, agradecendo e suplicando a Deus pelos nossos sacerdotes.

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